O vento de julho despenteou um pouco seus cabelos. Rosto voltado para o escuro, braços abertos. Como se dançasse. A cara erguida para o céu coberto de estrelas, um céu tão limpo que seria capaz de encontrar todas as constelações. E foi dizendo para si mesmo em seu pensamento:
‘Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima de você. Tão próxima que você podia tê-la tocado. Você podia tê-la apanhado. Talvez no ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco, e sem entender, você então para e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro? Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro. Mas estava ali, e no segundo seguinte, você ia tocá-la, você ia tê-la. Era tão, tão imediata. Tão agora, tão já. Foi você que errou? Foi você que não soube fazer o movimento correto? O movimento perfeito tinha que ser um movimento perfeito. Talvez tenha demonstrado demasiada ansiedade, eu penso. E a coisa se assustou, então. Mas, se o erro não foi de dentro, mas de fora, se o erro não foi seu, mas da coisa? E se foi ela que não soube estar pronta? Que não conseguiu captar a hora exata, perfeita de estar pronta. Porque assim como o movimento de apanhar deve ser perfeito, deve ser perfeita também a falta de movimento, a aparente falta de movimento do que se deixa apanhar. Você me entende? Talvez houvesse alguma interferência no ‘em-volta-dos-dois’. No ar. No astral. Uma coisa de Deus, do mistério, que embora pareça errada, está absolutamente certa. Porque é assim que é. Naturalmente. As coisas sempre prestes de serem apanhadas. E você eternamente prestes a apanhá-las. ’
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